A Síndrome do Pânico | |
Tem sido muito freqüente a procura de ajuda por pessoas que se surpreendem com as próprias reações diante de situações do cotidiano ou mesmo durante o sono que, sem nenhuma causa aparente, causam uma ansiedade que não corresponde ao que seria considerada normal pelo próprio indivíduo. Sensação de ameaça, como se algo ruim fosse acontecer, acompanhada de sintomas como boca seca, taquicardia, tremor, falta de ar, dor no peito, calafrios ou até alterações na visão ou audição, levam o indivíduo a ter a impressão de que está ficando louco, por não conseguir controlar tudo isto ou de que vai morrer. Isto o faz correr a um pronto-socorro ou procurar um cardiologista ou clínico geral, mas raramente ele procura um psicólogo ou psiquiatra, por medo de que sua suspeita de "loucura" seja confirmada.
O Pânico não é loucura
e tem tratamento
Ele é causado por um distúrbio dos neurotransmissores responsáveis por nossos mecanismos de reação e defesa frente a perigos reais.(a serotonina, principalmente) O que acontece na crise de pânico é que o organismo dispara um alarme falso. Ou seja, há uma ativação desse alarme em situações que, na verdade, não são de perigo.
Assim, a pessoa tem reações semelhantes (porém muito intensas) a um susto, e não entendem porque. A duração de uma crise varia, em média, de cinco a vinte minutos; porém, quando a pessoa ainda não entende o que está acontecendo com ela, sua própria ansiedade pode prolongar a crise. Estas são manifestações físicas, motivadas por um fator biológico e podem ser controladas com o uso de antidepressivos que devem ser prescritos por profissionais especializados nessa área, em especial os psiquiatras - embora nem sempre haja necessidade do uso de medicamentos - depende do caso.
Porém, o que desencadeia essas reações químicas do organismo, são fatores psicológicos e estes devem ser trabalhados em psicoterapia, ou seja, com um(a) psicólogo(a). O aumento da ansiedade - stress - é geralmente causado pela relação: dificuldades X habilidade, ou seja, quanto menos capaz a pessoa se sentir para resolver seus problemas, mais ansiosa ela ficará e a partir daí poderá desenvolver essas crises. É interessante observar que pessoas perfeccionistas são muito sujeitas à síndrome do Pânico pela pressão interna que o desejo de perfeição causa.
A psicoterapia cognitiva tem como base que cada indivíduo, tendo seu próprio sistema de crenças e valores, reage às situações de acordo com padrões de comportamento que devem ser revisados e trabalhados no sentido de torna-los mais adequados e, conseqüentemente, baixar o nível de sua ansiedade.
Utiliza-se técnicas para enfrentamento e evitação das crises, num primeiro momento, com o objetivo de causar um alívio mais rápido ao sofrimento do paciente. Em paralelo desenvolve-se a capacidade dele lidar com a vida de uma forma mais funcional. É importante ficar claro que o Pânico não é "chilique", nem algo que o indivíduo pode controlar só com força de vontade. Comentários como "isto não é nada", "você precisa esforçar", etc., só servem para levar o paciente a uma auto estima ainda mais baixa e ao isolamento social, fuga através de bebida ou droga, sentimento de culpa e depressão.
O Pânico tem tratamento e este deve ser iniciado o mais rápido possível, pois após algumas crises, o individuo, geralmente, começa a desenvolver uma série de fobias, associando as crises ao local onde aconteceram; e também a sofrer de ansiedade antecipatória, que é o medo de enfrentar situações sociais e ter uma crise em público. Por este motivo a psicoterapia é fundamental, porque trata tanto os aspectos que desencadeiam as crises quanto aqueles que se desenvolvem em função dela.
Helenita Scherma
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quinta-feira, 17 de outubro de 2013
PÂNICO
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